Síndrome do intestino irritável: sintomas, possíveis causas e o que comer

Vanessa Gaudiano — Nutricionista (CRN-8 16541) e Fitoterapeuta Clínica, Especialista em Saúde da Mulher e Nutrição Funcional.

Por Vanessa Gaudiano, nutricionista e fitoterapeuta

Barriga inchada, excesso de gases, cólicas e idas frequentes ao banheiro. Se você vive isso, pode estar se perguntando: “Será que eu tenho síndrome do intestino irritável?” Pode ser. Neste texto, explico o que é, quais são os sintomas, o que pode estar piorando o quadro e como a alimentação pode ajudar.

Por que falar disso quando o assunto é dor reumática?

Pessoas com fibromialgia, artrite reumatoide, lúpus e outras condições costumam usar medicamentos por longos períodos, e isso pode contribuir para o desenvolvimento de doenças secundárias, entre elas a síndrome do intestino irritável (SII). A fibromialgia é um dos casos em que mais vemos essa associação, mas não é a única.

Intestino irritável não é o mesmo que intestino preso

O intestino preso costuma estar ligado ao estilo de vida: pouca fruta, pouca fibra, pouca água. Já a síndrome do intestino irritável geralmente está ligada a uma condição que já vem sendo tratada sem bons resultados, e é mais complexa de manejar. Na maioria dos casos, não tem cura, mas dá para controlar com uma rotina e hábitos adequados. Se você melhora e depois volta a comer como antes, provavelmente os sintomas voltam.

Sintomas mais comuns

  • Dor ou pontada na barriga, com cólica que melhora depois de evacuar. Muitas pessoas sentem urgência súbita para ir ao banheiro, onde quer que estejam.
  • Diarreia. Dependendo do que come, a pessoa pode ir 3, 4 ou 5 vezes só pela manhã. Isso muitas vezes limita a vida social.
  • Excesso de gases, que costuma causar constrangimento
  • Barriga inchada ou estufada, principalmente depois de comer
  • Alternância entre diarreia e prisão de ventre. A diarreia é mais comum, mas em alguns casos ocorre o inverso.
  • Aumento do número de evacuações por dia
  • Fezes com muco (aspecto gelatinoso). Esse sinal deve ser investigado
  • Fadiga e cansaço, porque as idas frequentes ao banheiro prejudicam a absorção de nutrientes, o que pode levar a deficiências (como B12 e ferro) e afetar a organização hormonal

Mini teste

Responda para você mesma:

  1. Tenho cólicas ou dores abdominais frequentes?
  2. Sinto a barriga inchada e estufada?
  3. Tenho gases em excesso?
  4. Alterno períodos de diarreia e de prisão de ventre?
  5. Evacuo mais vezes por dia do que o normal?
  6. Minhas fezes têm muco?

Se várias respostas forem “sim”, procure um médico. Comece pelo clínico geral, que pode orientar os próximos passos. Barriga estufada depois de comer não é normal, embora possa acontecer na SII.

Possíveis causas

  • Eixo cérebro-intestino. Estresse, ansiedade e depressão afetam o intestino. Você provavelmente percebe que as crises pioram quando está mais ansiosa ou estressada e melhoram quando está mais calma
  • Intolerâncias alimentares, como glúten e lactose
  • Alterações no microbioma, incluindo suspeita de SIBO
  • Infecção intestinal
  • Medicamentos: laxantes, analgésicos, antidepressivos e anti-inflamatórios. Se você faz tratamento (por exemplo, para dores reumáticas), vale conversar com o médico sobre o possível efeito no intestino

O que comer: o caminho é individual

Cada corpo reage de um jeito. O mais importante é observar suas próprias respostas.

Organize os horários. Quem tem crises intestinais costuma comer muitas vezes ao dia, beliscando sem perceber. Controlar os horários, com 2 ou 3 refeições por dia, pode melhorar o quadro. Eu trabalho com jejuns de estilo de vida (12 ou 16 horas), mas isso depende de cada pessoa e deve ter acompanhamento.

Alimentos que costumam cair bem (mas teste):

  • Frutas como mamão, tangerina, uva e melão (para algumas pessoas o melão ataca, para outras é ótimo)
  • Abóbora, batata, cenoura e beterraba
  • Tubérculos em geral: batata, batata-doce e mandioca
  • Abacate e semente de girassol (em alguns casos a de girassol é melhor tolerada que a de abóbora; se você passar mal com as duas, retire)
  • Chás, que ajudam a aliviar as crises

Alimentos que pedem atenção:

  • Cebola, cebolinha e alho: causam irritação em algumas pessoas, mas para outras são bons aliados, porque têm quercetina e alicina
  • Laticínios: queijos amarelos e iogurte podem não cair bem. Algumas pessoas toleram melhor queijo branco ou sem lactose
  • Carnes e ovos: podem ser consumidos, mas às vezes funcionam melhor só no almoço
  • Oleaginosas gordurosas (castanhas, nozes): podem piorar os sintomas em alguns casos
  • Açúcar e farinhas refinadas: são inflamatórios e podem irritar o intestino. Vale reduzir ou, em alguns casos, retirar

Descubra seus gatilhos

Mantenha horários fixos para as refeições, em vez de comer sempre que a fome aparecer. Assim, fica mais fácil identificar o que ataca você. Por exemplo: se num dia você come mamão com banana e granola e passa bem, e no outro come abacate com semente de girassol e passa mal, já tem uma pista. Teste um alimento de cada vez e vá montando sua própria lista de alimentos que inflamam. Um diário alimentar ajuda muito.

Quando procurar ajuda

A alimentação ajuda muito, mas não substitui o acompanhamento médico. Procure um profissional se você tiver sintomas persistentes, fezes com muco, cansaço fora do comum ou piora com o uso de medicamentos. Não suspenda nem troque nenhum medicamento por conta própria.

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Você tem algum desses sintomas? Conte nos comentários.

Sou nutricionista e fitoterapeuta e ajudo mulheres com dores reumáticas a diminuí-las, organizando os hormônios do climatério e da menopausa de forma natural.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Sintomas intestinais persistentes devem ser investigados por um profissional de saúde, e mudanças na alimentação ou nos medicamentos devem ser acompanhadas por especialistas.

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