Diabetes tipo 2: o que comer e o que evitar

Vanessa Gaudiano — Nutricionista (CRN-8 16541) e Fitoterapeuta Clínica, Especialista em Saúde da Mulher e Nutrição Funcional.

Por Vanessa Gaudiano, nutricionista e fitoterapeuta

Se você tem resistência à insulina ou diabetes tipo 2 (às vezes uma coisa leva à outra), este texto é para você. O diabetes tipo 2 é uma doença crônica, e quando ela está no início, a alimentação pode ajudar muito no controle. Quanto antes você cuidar, melhor: depois de muitos anos de uso de insulina, fica bem mais difícil reverter o quadro.

Tipo 1 e tipo 2 não são a mesma coisa

O tipo 1 é praticamente autoimune: o corpo não produz insulina, e o acompanhamento especializado é indispensável, com contagem de carboidratos. Já o tipo 2 está muito ligado ao estilo de vida: alimentação ruim, falta de hábitos saudáveis, excesso de açúcar no organismo e um corpo inflamado. É sobre o tipo 2 que vamos falar aqui.

Sintomas e sinais para ficar de olho

Converse com seu médico ou nutricionista se você notar:

  • Manchas escuras no pescoço, nas axilas ou na virilha
  • Sede excessiva, aquela que a água não mata
  • Visão embaçada ou turva, com dificuldade de foco
  • Vontade de urinar o tempo todo
  • Cansaço
  • Perda de peso sem dieta e sem motivo aparente. Emagrecer sem fazer nada normalmente não é bom sinal.

Por que mudar a alimentação a partir dos 45?

Pense no corpo como um carro. Depois dos 45, 50, 55 anos, ele continua funcionando bem, mas o combustível mudou: antes rodava com álcool, agora precisa de gasolina premium. Não é qualquer coisa que funciona.

Quando você abusa de carboidratos simples (pão, farinha de trigo e derivados, esfirra, bolachas, biscoitos, arroz), coloca mais açúcar no organismo e o corpo fica mais inflamado.

O que incluir no prato

Carboidratos em porções menores e com preparo inteligente. Batata inglesa cozida e depois levemente assada, por exemplo, ajuda a evitar o pico de açúcar. Batata-doce, inhame, cará e abóbora também entram, mas em porções menores.

Leguminosas. Feijão, ervilha, lentilha e grão-de-bico. A lentilha e a ervilha costumam dar menos gases, embora isso varie de pessoa para pessoa.

Fibras. Tomate, rúcula, alface, berinjela (fantástica!), legumes e hortaliças em geral.

Gorduras boas e frutas. Abacate, morango, mirtilo, amora e outras frutas vermelhas, além de tangerina.

Proteínas. Frango grelhado, carnes magras e peixe. Para quem não come carne, tofu e cogumelos.

Sementes. Elas devem fazer parte da rotina, junto com a retirada do açúcar.

O que reduzir ou retirar

  • Açúcar demerara e açúcar refinado
  • Mel, só com muita moderação e dentro de uma composição alimentar, nunca adoçando o chá, que deve ser tomado sem nada doce
  • Doces em geral e chocolates (ao leite, branco…)
  • Empadinha, pastel e frituras
  • Cuidado com arroz e macarrão
  • Frutas secas só com moderação e acompanhamento

Você pode pensar: “Mas eu gosto tanto disso!” Faz parte do processo aprender a comer de forma diferente, e você vai ver que dá certo.

Quem tem maior risco?

Vale redobrar a atenção se você:

  • Tem sobrepeso ou obesidade
  • É sedentária
  • Se alimenta mal ou come o tempo todo
  • Tem histórico de diabetes na família
  • É mulher com mais de 45 anos
  • Tem hipertensão ou problemas cardiovasculares

Por que agir agora

Talvez hoje você não sinta nada, ou o exame tenha vindo alterado e você tenha feito só uma mudança pequena, como incluir uma fibra. Mas o exame só mostra o resultado do que você faz. E o diabetes tipo 2 é uma doença chata: exige acompanhamento constante, e o uso prolongado de insulina pode desgastar as células beta do pâncreas, responsáveis por produzir insulina, dificultando cada vez mais sair da medicação.

No consultório, o medo mais comum era: “Não quero ficar diabética.” Muita gente já viu alguém da família que não cuidou da alimentação e perdeu dedos, pé ou perna. Isso pode ser evitado, e seus hábitos têm o poder de transformar sua saúde.

A rotina é o que transforma

No início a mudança parece grande, porque você ainda não sabe usar os alimentos diferentes. Mas depois que aprende a cozinhar com quinoa e arroz integral, a caprichar nas saladas, a tomar chás e águas saborizadas e a eliminar o açúcar, tudo vira rotina. E uma vida extraordinária nasce de uma rotina comum, desde que seja saudável.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de médicos e nutricionistas. Mudanças na alimentação e no tratamento do diabetes devem ser acompanhadas por profissionais de saúde.

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