Vanessa Gaudiano — Nutricionista (CRN-8 16541) e Fitoterapeuta Clínica, Especialista em Saúde da Mulher e Nutrição Funcional.
Por Vanessa Gaudiano, nutricionista e fitoterapeuta
Uma dor de cabeça que não passa, daquelas que parecem que a cabeça vai explodir, costuma levar a uma pergunta: “Será que alguma alimentação pode me ajudar?” Antes de chegar aí, o primeiro passo é outro: identificar a causa.
Quando só tratamos o sintoma, tomando um remedinho e seguindo a vida, o problema de fundo continua. Conhecer a origem da dor facilita tratar a consequência. A seguir, 11 causas comuns. Se você se identificar com alguma, mudar esse comportamento pode ajudar a aliviar a dor.
1. Postura
Quem trabalha sentada, muito curvada, ou fica em pé de forma inadequada ao longo do dia, prejudica a circulação sanguínea e a oxigenação. Uma boa postura melhora a circulação e pode diminuir essas dores.
2. Bruxismo
Apertar os dentes provoca muita tensão na mandíbula e pode causar dor de cabeça forte durante o dia. Na anamnese, sempre perguntamos sobre isso. Não ignore o sintoma: procure um dentista, que pode indicar, por exemplo, a placa de bruxismo.
3. Problemas de visão
É muito comum e muita gente nem percebe. A visão vai perdendo nitidez com a idade, e quem lê por muito tempo ou não usa a correção adequada pode sofrer com dor de cabeça. Pode ser miopia ou apenas a vista embaçada própria da idade. Vale perguntar: será que eu preciso de óculos? Ou, se já uso, o grau ainda está certo?
No meu caso, a visão também era parte do problema. Usava óculos de descanso, e precisei corrigir isso para não deixar os olhos “preguiçosos”. Ao incluir mais vitamina A e fazer alguns exercícios para os olhos, melhorou bastante.
4. TPM
A oscilação hormonal de estrógeno e progesterona no período pré-menstrual provoca dores abdominais, retenção de líquido e, em muitas mulheres, dor de cabeça e enxaqueca. Uma dica prática é fazer uma tabelinha do ciclo e anotar os sintomas (inchaço, dor de cabeça, dor abdominal). Fica muito mais fácil perceber se a dor tem relação com o ciclo.
5. Desidratação
Com a vida corrida, muita gente não para para beber água, e o dia todo com calor e trabalho leva à desidratação, que causa dor de cabeça forte. Quem toma menos de 2 litros por dia provavelmente está desidratado. O básico é de 8 a 10 copos.
Atenção: água em excesso também não é ideal se a alimentação não estiver equilibrada, porque você pode eliminar sódio, potássio e magnésio demais. Mais água não é sempre melhor.
6. Sensibilidade à luz e enxaqueca
Algumas pessoas têm dores de cabeça mais frequentes por sensibilidade à luz, seja solar ou elétrica. Se a claridade incomoda seus olhos com frequência, observe esse padrão.
7. Sono ruim
Quem dorme mal acorda indisposta e com mais dor de cabeça. Insônia, cansaço constante e hábito de dormir muito tarde aumentam as oscilações hormonais e favorecem aquela cabeça latejando.
8. Sinusite
A inflamação nasal provoca bastante dor de cabeça. Se você vive com sinusite “atacada”, procure um médico para um tratamento eficaz. Nesse caso, mudar a alimentação sozinha não resolve.
9. Estresse e ansiedade
São dores reais, que latejam, muitas vezes por causa da tensão muscular. Você provavelmente vai notar que a dor piora quando está estressada ou ansiosa. Reduzir esses níveis é essencial.
10. Alimentação
Vale investigar se algum alimento está causando má digestão e prejudicando o seu metabolismo. Na minha experiência de consultório, os três mais comuns são:
- Açúcar
- Farinha de trigo (nem sempre é o glúten em si)
- Laticínios
Outros fatores que entram aqui: comer a cada 3 horas o dia todo, excesso de alimentação e falta de atividade física.
11. Menopausa
A queda hormonal da menopausa, com fogachos, suores e desequilíbrio hormonal, leva muitas mulheres a terem mais dor de cabeça. Ao mudar a alimentação e incluir mais fitoestrógenos, muitas notam melhora.
Minha história com a dor de cabeça
Houve uma época em que minhas dores eram tão fortes que a veinha da têmpora latejava e eu precisava massagear, pedindo até para meu marido apertar. No meu caso, a causa era a TPM. Mudei minha alimentação por volta dos 28 a 30 anos, e aos 30 a fitoterapia entrou na rotina. Ao longo dos anos a dor foi diminuindo e hoje, graças a Deus, já não sofro com isso.
Quando a alimentação ajuda e quando não ajuda
Se a causa for bruxismo, problema de visão, sinusite ou outra tensão que não tenha relação com a alimentação, a comida não vai resolver, e é preciso consultar o profissional responsável. Nos demais casos, uma alimentação mais limpa faz bastante diferença. Na prática, o trabalho envolve:
- Identificar e reduzir alimentos inflamatórios para o seu organismo (açúcar, farinha de trigo, laticínios)
- Melhorar a hidratação com águas, chás e sucos
- Incluir fitoestrógenos no período da menopausa
Sinais de alerta: procure um médico
Dor de cabeça não é algo para normalizar. Todo mundo já teve uma, mas quando ela é muito frequente, não é normal. Procure atendimento médico se houver:
- Vômitos
- Tonturas
- Confusão mental
- Febre acima de 38 °C
- Dores de cabeça muito frequentes ou que vêm junto de mal-estar e indisposição
Comece por perguntas certas
As perguntas deste texto funcionam como uma mini anamnese: se você respondê-las com sinceridade, já consegue ter uma ideia de qual especialista procurar (dentista, oftalmologista, ginecologista, otorrino, nutricionista).
E você, sofre com dores de cabeça constantes? Conte nos comentários.
Sou nutricionista e fitoterapeuta, e ajudo mulheres a organizar os hormônios de forma natural, com chás, sucos, shakes, shots e sementes no dia a dia.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Dores de cabeça frequentes ou intensas devem ser investigadas por um profissional de saúde.
