Como Tomar Óleo de Prímula do Jeito Certo? Veja Para Que Serve e Cuidados

Vanessa Gaudiano — Nutricionista (CRN-8 16541) e Fitoterapeuta Clínica, Especialista em Saúde da Mulher e Nutrição Funcional.

Cápsulas gelatinosas de óleo de prímula em um pote de vidro ao lado de flores amarelas.

Óleo de Prímula: Como Tomar, Para Que SÓleo de Prímula: Como Tomar, Para Que Serve e Quais Cuidados Ter

Você já ouviu falar no óleo de prímula? Esse suplemento ficou muito conhecido entre as mulheres, principalmente durante a TPM, climatério e menopausa.

Extraído das sementes da planta Oenothera biennis, ele fornece gorduras poli-insaturadas e se destaca pela presença do ácido gama-linolênico (GLA).

Mas calma aí, minha amiga: não é porque é natural que precisamos tomar de qualquer jeito. Vamos entender como usar, qual quantidade observar no rótulo e quais cuidados são importantes.

O que é o óleo de prímula?

O óleo de prímula é produzido a partir das sementes da planta e normalmente é encontrado em cápsulas.

Ele contém ácido linoleico e pequenas quantidades de GLA, um tipo de ômega-6 que participa da formação de substâncias envolvidas em diferentes processos do organismo.

É justamente por causa do GLA que o óleo de prímula passou a ser estudado principalmente na saúde da mulher.

Para que o óleo de prímula é mais utilizado?

Na prática, é comum encontrar o suplemento sendo utilizado por mulheres que buscam apoio durante fases de alterações hormonais.

Entre os usos mais conhecidos estão:

  • desconfortos da TPM;
  • sensibilidade nas mamas;
  • alterações percebidas durante o climatério e menopausa;
  • cuidados com pele ressecada;
  • suporte nutricional com ácidos graxos essenciais.

Alguns estudos também investigaram o GLA em condições inflamatórias e articulares. Entretanto, isso não significa que o óleo de prímula trate artrite, menopausa ou desequilíbrios hormonais.

As evidências variam bastante conforme o sintoma estudado.

Óleo de prímula ajuda na menopausa?

Essa é uma das principais razões pelas quais as mulheres procuram esse suplemento.

O óleo de prímula tem sido estudado para sintomas como ondas de calor e outros desconfortos do climatério, mas os resultados disponíveis não permitem afirmar que ele funcione da mesma maneira para todas as mulheres.

Por isso, pense nele como um possível complemento dentro de uma rotina de cuidados, e não como uma solução para todos os sintomas da menopausa.

Faz sentido?

Como tomar óleo de prímula

Aqui existe um detalhe muito importante: não olhe apenas para o tamanho da cápsula.

Uma cápsula pode ter, por exemplo, 500 mg ou 1.000 mg de óleo, mas a quantidade de GLA presente pode variar bastante de uma marca para outra.

Por isso, sempre confira o rótulo.

De modo geral, suplementos de óleo de prímula são comercializados em quantidades próximas de:

500 mg a 1.300 mg de óleo de prímula por dia

A quantidade adequada depende da concentração do produto e do objetivo de uso.

O ideal é ingerir junto de uma refeição, principalmente se isso facilitar a tolerância gastrointestinal.

Posso tomar 1 cápsula por dia?

Depende.

Se a cápsula tiver 500 mg, é uma quantidade.

Se tiver 1.000 mg ou 1.300 mg, é outra.

E duas marcas com a mesma quantidade total de óleo podem apresentar concentrações diferentes de GLA.

Então a regra é simples:

Leia a quantidade por cápsula + confira a concentração de GLA + siga a orientação do produto ou do profissional que acompanha você.

Não precisa adivinhar a dose.

Qual é o melhor horário para tomar óleo de prímula?

Não existe um horário obrigatório para todas as pessoas.

Uma opção prática é consumir junto do café da manhã, almoço ou jantar.

Se a recomendação envolver mais de uma cápsula por dia, elas também podem ser distribuídas entre as refeições, conforme a orientação utilizada.

O mais importante é manter regularidade.

Óleo de prímula engorda?

O óleo de prímula é uma gordura e, portanto, fornece calorias.

Mas uma cápsula utilizada na quantidade recomendada representa uma quantidade pequena dentro da alimentação diária.

O que determina ganho de peso é o conjunto da rotina alimentar e do balanço energético, e não uma cápsula isolada.

Quem precisa ter cuidado com o óleo de prímula?

Antes de usar com frequência, vale buscar orientação se você:

  • está grávida ou amamentando;
  • utiliza anticoagulantes ou medicamentos que interferem na coagulação;
  • possui histórico de convulsões;
  • utiliza vários medicamentos ou suplementos;
  • fará algum procedimento cirúrgico;
  • possui alguma doença crônica.

Algumas pessoas também podem apresentar desconforto abdominal, náusea, fezes mais amolecidas ou dor de cabeça.

Óleo de prímula substitui reposição hormonal?

Não.

Esse ponto é muito importante.

O óleo de prímula não é uma reposição hormonal e não deve ser apresentado como substituto automático de tratamentos prescritos para o climatério ou menopausa.

Cada mulher vive essa fase de uma maneira diferente.

Algumas apresentam poucos sintomas; outras têm calorões intensos, alteração do sono, mudanças de humor, ressecamento vaginal ou outros desconfortos que merecem avaliação individual.

Resumo: como usar óleo de prímula

Para ficar fácil:

🌼 Forma mais comum: cápsulas
🌼 Quantidade encontrada nos suplementos: aproximadamente 500 a 1.300 mg por dia, dependendo do produto
🌼 Como consumir: preferencialmente junto de uma refeição
🌼 O que conferir: quantidade de óleo e concentração de GLA no rótulo
🌼 Uso contínuo: deve ser individualizado

O óleo de prímula pode fazer parte de uma estratégia de cuidado com a saúde feminina, mas não precisa transformar suplemento em milagre.

Primeiro entendemos por que usar, depois escolhemos a quantidade correta e observamos como isso se encaixa na rotina.

Bora viver saudável.

Aviso importante

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento individualizado realizado por profissional de saúde.

O óleo de prímula é um suplemento e seus efeitos podem variar de pessoa para pessoa. As evidências científicas sobre benefícios para menopausa, TPM e condições inflamatórias ainda são limitadas, portanto ele não deve ser apresentado como tratamento ou substituto de medicamentos prescritos.

Gestantes, lactantes, pessoas que utilizam medicamentos continuamente ou possuem alguma condição de saúde devem buscar orientação profissional antes do uso.

Referências e bibliografia

NATIONAL CENTER FOR COMPLEMENTARY AND INTEGRATIVE HEALTH (NCCIH). Evening Primrose Oil: Usefulness and Safety. National Institutes of Health. O órgão destaca que ainda não existem evidências suficientes para confirmar o óleo de prímula como tratamento para condições como menopausa, TPM e artrite reumatoide.

THEVI, T.; DE, S.; SOE, H. H. K. Evening Primrose Oil for Menopause Hot Flashes: Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Menopausal Medicine, v. 30, n. 3, p. 127–134, 2024. DOI: 10.6118/jmm.23038. A revisão concluiu que as evidências disponíveis ainda são insuficientes para afirmar um benefício consistente sobre os fogachos.

LARKI, M.; MOHAMMADI, S.; MAKVANDI, S. The Effect of Evening Primrose Oil on Menopausal Symptoms Management: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Caring Sciences, 2025. A análise reuniu seis ensaios clínicos randomizados e classificou a qualidade das evidências como moderada a baixa.

FARZANEH, F. et al. The effect of oral evening primrose oil on menopausal hot flashes: a randomized clinical trial. Archives of Gynecology and Obstetrics, 2013. O ensaio clínico avaliou o uso do óleo de prímula em mulheres na menopausa e encontrou resultados que justificam investigação adicional.

Vanessa Gaudiano — Nutricionista (CRN-8 16541) e Fitoterapeuta Clínica, Especialista em Saúde da Mulher e Nutrição Funcional.Recursos educacionais

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