H. pylori: por que o tratamento nem sempre funciona e como a alimentação pode ajudar?

Você já fez o tratamento para H. pylori, tomou todos os medicamentos e, mesmo assim, a bactéria continuou presente?

Calma aí, minha amiga. Isso pode acontecer, especialmente quando existe resistência aos antibióticos, dificuldade para seguir corretamente o tratamento ou necessidade de utilizar outra combinação de medicamentos.

A boa notícia é que podemos cuidar do organismo antes, durante e depois do tratamento, sempre com acompanhamento médico e nutricional.

Hoje eu quero explicar o que é a H. pylori, quais problemas ela pode causar e como uma alimentação equilibrada pode colaborar com a recuperação do seu estômago.

O que é a H. pylori?

A Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori, é uma bactéria capaz de viver na mucosa do estômago.

Durante muito tempo, acreditava-se que nenhuma bactéria conseguiria sobreviver nesse ambiente tão ácido. Essa compreensão começou a mudar na década de 1980, quando pesquisadores demonstraram a relação da bactéria com a gastrite e com as úlceras.

A H. pylori é uma das principais causas de gastrite crônica. Quando não é identificada e tratada, pode aumentar o risco de úlceras no estômago ou no duodeno e, em determinadas pessoas, contribuir para o desenvolvimento de câncer gástrico. Isso não significa que toda pessoa infectada desenvolverá câncer, mas significa que a bactéria merece atenção e tratamento adequado.

Como acontece a contaminação?

A transmissão da H. pylori ainda é estudada, mas pode acontecer pelo contato com saliva, vômito, fezes, água ou alimentos contaminados.

Por isso, alguns cuidados básicos são importantes:

  • lavar bem as mãos antes de cozinhar e comer;
  • higienizar corretamente frutas, verduras e utensílios;
  • consumir água de procedência segura;
  • não compartilhar talheres, copos ou objetos que tiveram contato com a boca sem a devida higienização.

São atitudes simples, mas que fazem diferença.

Quais são os sintomas da H. pylori?

Muitas pessoas podem ter a bactéria sem apresentar sintomas. Quando eles aparecem, os mais frequentes são:

  • dor ou queimação na parte superior do abdômen;
  • sensação de estômago cheio;
  • indigestão;
  • náuseas;
  • arroto excessivo;
  • falta de apetite;
  • distensão abdominal;
  • desconforto depois das refeições.

Dor intensa, vômitos persistentes, dificuldade para engolir, perda de peso sem explicação, fezes muito escuras ou presença de sangue precisam de avaliação médica com brevidade. A infecção pode estar relacionada à gastrite e às úlceras pépticas, que também podem provocar náuseas, estufamento e dor abdominal.

Por que algumas pessoas não conseguem eliminar a bactéria?

O tratamento da H. pylori normalmente envolve medicamentos que diminuem a produção de ácido no estômago associados a antibióticos. A combinação e a duração são determinadas pelo gastroenterologista.

Em algumas pessoas, o primeiro tratamento não consegue erradicar completamente a bactéria. Isso pode ocorrer por diferentes razões, como:

  • resistência aos antibióticos utilizados;
  • abandono ou uso incorreto do tratamento;
  • efeitos colaterais que dificultam a adesão;
  • necessidade de uma combinação diferente de medicamentos.

Por isso, não é recomendado repetir antibióticos por conta própria. Quando a bactéria permanece presente, o médico pode escolher outro esquema terapêutico. Também costuma ser necessário realizar um teste de controle pelo menos quatro semanas após o término dos medicamentos, seguindo as orientações sobre a suspensão temporária de determinados remédios antes do exame.

A alimentação consegue eliminar a H. pylori?

Não devemos prometer que um chá, um suco, um alimento, o mel ou o própolis conseguirão eliminar sozinhos a H. pylori.

Alguns alimentos e compostos naturais vêm sendo estudados porque podem apresentar atividade antioxidante, anti-inflamatória ou inibitória contra a bactéria. Entretanto, as pesquisas indicam que esses recursos podem, no máximo, atuar como coadjuvantes, ajudando a reduzir a colonização ou a agressão à mucosa, mas não substituem o tratamento de erradicação prescrito pelo médico.

Faz sentido? O alimento ajuda a preparar e a cuidar do terreno, mas não deve tomar o lugar do tratamento necessário.

Alimentos que podem fazer parte da rotina

1. Brócolis e outros vegetais

Brócolis, couve-flor, couve-manteiga e outros vegetais crucíferos fornecem fibras, vitaminas e compostos como os glucosinolatos.

O brócolis também contém precursores do sulforafano, substância estudada por seu potencial antioxidante e por possíveis efeitos sobre a colonização da H. pylori.

Esses vegetais não funcionam como antibióticos e não são equivalentes ao omeprazol. Ainda assim, podem contribuir com uma alimentação mais protetora e variada.

Caso você perceba aumento de gases ou desconforto, teste porções menores e preparações cozidas.

2. Frutas vermelhas e arroxeadas

Morango, amora, mirtilo, uva roxa e outras frutas coloridas são fontes de polifenóis e antocianinas.

Esses compostos apresentam ação antioxidante e podem ajudar a proteger as células contra o excesso de estresse oxidativo.

Não precisa consumir uma quantidade enorme. Uma pequena porção dentro de uma rotina equilibrada já pode ser interessante.

3. Aveia e fibras alimentares

A aveia fornece fibras solúveis que auxiliam o funcionamento intestinal e podem contribuir para uma microbiota mais equilibrada.

Mas atenção: aumentar fibras sem beber água suficiente pode piorar a prisão de ventre. O intestino gosta de fibra, água, movimento e rotina. É um trabalho em equipe!

4. Alho e cebola

Alho e cebola possuem compostos bioativos estudados por suas propriedades antioxidantes e antimicrobianas.

Entretanto, quando o estômago está muito sensível, esses alimentos crus podem causar queimação, gases ou desconforto.

Nesse caso, você pode:

  • utilizar quantidades menores;
  • consumir cozidos ou levemente refogados;
  • suspender temporariamente caso piorem os sintomas.

A alimentação saudável precisa respeitar a tolerância do seu organismo.

5. Probióticos

Algumas cepas de probióticos vêm sendo estudadas como apoio durante o tratamento da H. pylori. Elas podem ajudar a reduzir certos efeitos adversos dos antibióticos e, em alguns contextos, colaborar com a taxa de erradicação.

Isso não significa que qualquer probiótico funcionará da mesma maneira. A escolha depende das cepas, da quantidade, do momento de uso e da condição clínica da pessoa.

E o mel e o própolis?

O mel, especialmente o mel de manuka, e o própolis são estudados por seus compostos bioativos e por possíveis efeitos antimicrobianos.

Porém, ainda não existe segurança para dizer que uma colher de mel ou algumas gotas de própolis conseguirão erradicar a bactéria. Eles podem ser utilizados como parte da alimentação em situações específicas, mas precisam ser avaliados individualmente.

O mel, por exemplo, exige cuidado em pessoas com diabetes, resistência à insulina ou necessidade de controle de açúcares. O própolis pode causar reações alérgicas e não deve ser utilizado por qualquer pessoa sem observar tolerância, composição e procedência.

Natural também precisa de indicação. Natural não significa liberado para todo mundo.

O que pode piorar o desconforto?

Não existe uma dieta única para todas as pessoas com H. pylori. O mais importante é observar quais alimentos pioram os seus sintomas.

Durante a fase de maior sensibilidade, pode ser necessário reduzir:

  • bebidas alcoólicas;
  • frituras;
  • preparações muito gordurosas;
  • excesso de pimenta e condimentos fortes;
  • café, caso aumente a queimação;
  • refrigerantes;
  • alimentos muito ácidos, quando provocarem dor;
  • grandes volumes de comida de uma única vez.

O pão e o macarrão não “alimentam” diretamente a bactéria nem tornam o corpo ácido. Entretanto, uma rotina baseada principalmente em farinhas refinadas e pobre em frutas, vegetais, fibras e proteínas pode prejudicar a qualidade geral da alimentação.

A proposta não é demonizar um alimento. É melhorar o conjunto da rotina.

O estresse pode piorar os sintomas?

Você já percebeu que o estômago parece reclamar justamente nos períodos mais difíceis?

O estresse não é a causa da H. pylori, mas pode aumentar a percepção da dor, alterar a digestão, piorar a queimação e dificultar a recuperação.

Por isso, além da alimentação, precisamos olhar para:

  • qualidade do sono;
  • horários das refeições;
  • mastigação;
  • atividade física;
  • pausas durante o dia;
  • ansiedade e sobrecarga emocional.

Não é apenas sobre o que está no prato. É sobre como o seu corpo está vivendo.

Prepare o organismo, faça o tratamento e cuide da recuperação

O objetivo não deve ser escolher entre “tratamento médico” ou “tratamento natural”.

Podemos utilizar a alimentação e a fitoterapia com responsabilidade para dar suporte ao organismo, sem abandonar os medicamentos necessários.

O cuidado pode acontecer em três etapas:

Antes do tratamento

Organizar os horários das refeições, melhorar a hidratação e reduzir os alimentos que provocam desconforto.

Durante o tratamento

Seguir corretamente a prescrição, não interromper os antibióticos por conta própria e comunicar ao médico qualquer efeito adverso importante.

Depois do tratamento

Realizar o teste de controle solicitado e trabalhar na recuperação digestiva e intestinal com uma alimentação variada e individualizada.

Isso é usar a medicina e os recursos naturais com sabedoria, equilíbrio e responsabilidade.

Conclusão

A H. pylori precisa ser investigada, tratada e acompanhada. A alimentação não substitui os antibióticos, mas pode ajudar o organismo a enfrentar o tratamento, diminuir desconfortos e recuperar a saúde digestiva.

Não procure soluções milagrosas. Procure um processo bem conduzido.

Com orientação, alimentação natural e acompanhamento adequado, é possível cuidar do estômago sem radicalismo e com muito mais tranquilidade.

Eu sou Vanessa Gaudiano, nutricionista e fitoterapeuta, e ajudo mulheres a desinflamar o organismo, diminuir dores e cuidar dos hormônios durante o climatério e a menopausa.

Bora viver saudável, sem complicar, sem exagerar e sempre com bom ânimo.

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