Vanessa Gaudiano — Nutricionista e Fitoterapeuta
CRN-8 16541
Você sente dor no ombro, quadril, joelho, cotovelo ou calcanhar e percebe que a dor piora quando movimenta, deita sobre o local ou faz esforço repetitivo? Muita gente pensa que é apenas “dor muscular”, “mau jeito” ou “idade chegando”, mas em alguns casos pode ser bursite.
A bursite é uma inflamação das bursas, pequenas bolsas cheias de líquido que funcionam como “almofadinhas” entre ossos, tendões, músculos e pele. Elas ajudam a reduzir o atrito durante os movimentos. Quando essas bolsas inflamam, a região pode ficar dolorida, sensível, inchada e com limitação de movimento. A Mayo Clinic define bursite como uma condição dolorosa que afeta essas pequenas bolsas próximas às articulações, chamadas bursas. (Mayo Clinic)
Eu sou Vanessa Gaudiano, nutricionista e fitoterapeuta especialista em fitoterapia e doenças reumáticas, e neste blog quero te explicar de forma simples o que é bursite, quais são os sintomas, causas, tipos, tratamentos e como a alimentação pode ajudar o corpo a lidar melhor com o processo inflamatório.
O que é bursite?
A bursite acontece quando uma bursa fica irritada ou inflamada. Imagine uma pequena bolsa com líquido que existe para proteger a articulação e evitar atrito. Quando você repete muito um movimento, sofre uma queda, fica apoiada muito tempo sobre uma região ou tem alguma doença inflamatória associada, essa bolsinha pode inflamar.
A bursite pode aparecer em várias partes do corpo, mas é mais comum em áreas que fazem muitos movimentos ou recebem pressão, como:
ombros, quadris, joelhos, cotovelos, calcanhares e tornozelos.
Segundo o Manual Merck, a bursite é uma inflamação dolorosa de uma bursa, e o movimento geralmente piora a dor; bursas mais superficiais também podem ficar inchadas e sensíveis ao toque. (Merck Manuals)
O ponto importante é: bursite não é apenas uma dor “normal”. Ela indica que existe um processo irritativo ou inflamatório naquela região. E quando existe inflamação, além do tratamento médico e fisioterapêutico, a alimentação pode ser uma grande aliada.
Principais sintomas da bursite
Os sintomas podem variar conforme a articulação afetada, mas os mais comuns são:
Dor localizada: normalmente aparece perto da articulação afetada. Pode ser leve no começo e piorar com o movimento.
Sensibilidade ao toque: a região pode ficar dolorida quando você aperta ou apoia.
Inchaço: algumas bursites, principalmente em áreas mais superficiais como cotovelo e joelho, podem causar aumento visível de volume.
Rigidez: a pessoa sente dificuldade para movimentar a articulação.
Piora ao movimentar: levantar o braço, subir escada, ajoelhar, deitar de lado ou caminhar pode piorar a dor, dependendo do local.
Calor e vermelhidão: quando a região fica muito quente, vermelha, dolorida e inchada, é necessário procurar avaliação médica, porque pode haver infecção.
A MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, aponta dor e inchaço como sintomas comuns, e informa que o diagnóstico pode envolver exame físico, imagem e, em alguns casos, retirada de líquido da região para descartar infecção. (MedlinePlus)
Causas da bursite
A bursite pode ter várias causas. Nem sempre existe apenas um motivo. Muitas vezes é a soma de movimento repetitivo, postura, fraqueza muscular, excesso de peso, inflamação sistêmica e envelhecimento das estruturas.
1. Movimentos repetitivos
Essa é uma das causas mais comuns. Pessoas que trabalham ou treinam repetindo o mesmo movimento podem sobrecarregar uma bursa. Isso pode acontecer com quem levanta peso, trabalha com braços elevados, digita muito, ajoelha com frequência ou faz atividades manuais repetitivas.
2. Pressão prolongada
Apoiar o cotovelo na mesa por muito tempo, ficar ajoelhada durante tarefas domésticas ou deitar sempre sobre o mesmo lado pode irritar a bursa.
3. Traumas e pancadas
Uma queda, batida ou impacto direto pode inflamar a bursa.
4. Alterações posturais e fraqueza muscular
Quando alguns músculos estão fracos ou encurtados, a articulação pode trabalhar de forma desequilibrada. Isso aumenta o atrito e a sobrecarga.
5. Doenças inflamatórias
Pessoas com artrite reumatoide, gota, doenças autoimunes ou outros processos inflamatórios podem ter maior tendência a bursites.
6. Infecção
Em alguns casos, a bursa pode infeccionar. Isso é mais comum em bursas superficiais, como cotovelo e joelho. Quando há febre, vermelhidão intensa, calor local e dor forte, é necessário procurar atendimento médico.
Tipos de bursite
A bursite pode ser classificada pelo local afetado ou pela causa.
Bursite no ombro
É uma das mais conhecidas. Pode causar dor ao levantar o braço, pentear o cabelo, vestir roupa, pegar algo no armário ou dormir sobre o ombro. Muitas vezes está relacionada a movimentos repetitivos, alterações nos tendões do manguito rotador e sobrecarga da articulação.
Bursite no quadril
Também chamada com frequência de bursite trocantérica. A dor costuma aparecer na lateral do quadril e pode piorar ao subir escadas, caminhar, levantar da cadeira ou deitar sobre o lado afetado. A Cleveland Clinic explica que, na bursite trocantérica, o repouso e evitar posições ou atividades que irritam a região costumam fazer parte do tratamento. (Cleveland Clinic)
Bursite no joelho
Pode atingir pessoas que ficam ajoelhadas com frequência ou que sofreram trauma local. Pode causar inchaço na frente do joelho, dor ao ajoelhar e sensibilidade.
Bursite no cotovelo
Também chamada de bursite olecraniana. Pode causar uma “bola” ou inchaço na ponta do cotovelo. Às vezes é causada por apoio constante ou trauma.
Bursite no calcanhar
Pode causar dor ao caminhar, usar sapatos apertados ou apoiar o pé. Pode estar associada à sobrecarga do tendão de Aquiles ou atrito na região.
Bursite aguda e crônica
A bursite aguda aparece de forma mais rápida, geralmente após trauma, esforço ou irritação. Já a bursite crônica pode persistir ou voltar várias vezes, principalmente quando a causa não é corrigida.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde, geralmente médico ortopedista, reumatologista ou fisioterapeuta dentro da sua área de atuação.
A avaliação pode incluir:
exame físico, histórico dos sintomas, análise dos movimentos, ultrassom, raio-X, ressonância magnética ou análise do líquido da bursa quando há suspeita de infecção ou outra causa.
O Manual MSD informa que a dor ao redor das bursas sugere o diagnóstico, mas que exames de imagem ou análise do líquido podem ser necessários em alguns casos. (MSD Manuals)
Tratamento da bursite
O tratamento depende da causa, do local e da intensidade dos sintomas. A alimentação ajuda no terreno inflamatório, mas não substitui avaliação médica, fisioterapia e cuidados específicos.
1. Repouso relativo
Não significa ficar totalmente parada, mas reduzir ou adaptar os movimentos que pioram a dor. Se a bursite foi causada por sobrecarga, continuar repetindo o mesmo movimento pode atrasar a melhora.
2. Compressas frias
Na fase mais dolorida ou inflamada, compressas frias podem ajudar a reduzir dor e inchaço. A Cleveland Clinic orienta aplicar gelo ou compressa fria envolvida em uma toalha fina por cerca de 15 minutos, algumas vezes ao dia. (Cleveland Clinic)
3. Fisioterapia
A fisioterapia pode ajudar muito, principalmente quando há fraqueza muscular, alteração postural ou limitação de movimento. O objetivo é reduzir dor, melhorar mobilidade, fortalecer a musculatura e prevenir retorno.
4. Medicamentos
Em alguns casos, o médico pode orientar anti-inflamatórios, analgésicos ou outros medicamentos. Se houver infecção, pode ser necessário antibiótico. A Mayo Clinic informa que, quando a inflamação da bursa é causada por infecção, o profissional pode prescrever antibiótico. (Mayo Clinic)
5. Infiltração
Em bursites persistentes, o médico pode indicar infiltração com corticosteroide. Esse tipo de tratamento deve ser avaliado individualmente.
6. Aspiração do líquido
Quando há muito inchaço ou suspeita de infecção, o médico pode retirar líquido da bursa para análise ou alívio.
7. Cirurgia
É rara, mas pode ser considerada quando a bursite não melhora com tratamentos conservadores ou quando há casos recorrentes e graves. O Manual Merck cita que, quando a bursite não melhora ou retorna repetidamente, a cirurgia para remover a bursa pode ser considerada em alguns casos. (Merck Manuals)
Alimentação para bursite: o que comer para ajudar a desinflamar
A bursite é um processo inflamatório local, mas o corpo funciona como um todo. Quando a alimentação do dia a dia é rica em açúcar, frituras, ultraprocessados e gordura ruim, o organismo pode ficar mais inflamado. Isso não significa que a comida “causou” a bursite sozinha, mas significa que a alimentação pode ajudar ou atrapalhar a recuperação.
A melhor estratégia alimentar é priorizar alimentos anti-inflamatórios, antioxidantes, ricos em fibras, gorduras boas, vitaminas e minerais.
A Harvard Health lista como alimentos anti-inflamatórios: tomate, azeite de oliva, vegetais verdes folhosos, nozes, peixes gordurosos e frutas como morango, mirtilo, cereja e laranja. (Harvard Health)
1. Gorduras boas
As gorduras boas ajudam na modulação da inflamação. Inclua:
sardinha, salmão, atum, cavalinha, azeite extra virgem, abacate, chia, linhaça e nozes.
A linhaça e a chia são fontes vegetais de ômega-3 do tipo ALA. Já peixes como sardinha e salmão fornecem EPA e DHA, formas mais diretamente relacionadas à resposta anti-inflamatória.
2. Frutas vermelhas e roxas
Morango, cereja, amora, framboesa, mirtilo e uva são ricos em compostos antioxidantes. Eles ajudam a combater o estresse oxidativo, que está relacionado a processos inflamatórios.
Para mulheres acima dos 40 anos, essas frutas são muito interessantes porque também ajudam na saúde vascular, intestinal e metabólica.
3. Frutas cítricas
Laranja, acerola, limão, abacaxi, mexerica e kiwi são fontes de vitamina C. A vitamina C participa da formação de colágeno, importante para tendões, ligamentos, pele e tecidos de sustentação.
Não é que a vitamina C “cure” bursite, mas ela ajuda o corpo a ter matéria-prima nutricional para reparo tecidual.
4. Vegetais verdes escuros
Couve, espinafre, rúcula, agrião, brócolis e cheiro-verde devem aparecer com frequência no prato. São fontes de antioxidantes, magnésio, fibras e compostos bioativos.
5. Temperos naturais
Gengibre, cúrcuma, alho, cebola, alecrim e orégano são ótimos para substituir temperos prontos e reduzir o excesso de sódio e aditivos.
A Harvard também cita que ervas e especiarias como gengibre, cúrcuma e canela podem ter benefícios modestos dentro de uma alimentação anti-inflamatória. (Harvard Health)
6. Proteínas de boa qualidade
A recuperação do corpo também depende de proteína. Inclua ovos, peixes, frango, leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico, além de boas combinações vegetais para quem não consome carnes.
7. Água
Fibras e sementes sem água podem piorar gases, intestino preso e estufamento. Quem deseja usar chia, linhaça e outros alimentos ricos em fibras precisa aumentar a ingestão de água ao longo do dia.
O que evitar na bursite
Alguns alimentos podem favorecer um ambiente mais inflamatório, principalmente quando aparecem todos os dias.
Açúcar refinado
Doces, bolachas, refrigerantes, sucos artificiais e sobremesas açucaradas podem piorar picos de glicose e insulina. Isso favorece inflamação metabólica e dificulta o controle do peso.
Ultraprocessados
Fast food, salgadinhos, embutidos, congelados prontos, temperos prontos, biscoitos recheados e produtos com muitos aditivos devem ser reduzidos.
Frituras e óleos refinados
Frituras frequentes, margarina, gordura vegetal hidrogenada e excesso de óleos refinados não ajudam quem está tentando controlar inflamação.
Bebidas alcoólicas
O álcool pode agravar inflamação, prejudicar sono, fígado, intestino e recuperação muscular.
Excesso de carne gordurosa
Não precisa demonizar todos os alimentos, mas cortes muito gordurosos, embutidos e carnes processadas devem ser evitados ou consumidos raramente.
Exemplo simples de dia alimentar anti-inflamatório
Café da manhã:
Ovos mexidos com cúrcuma e cheiro-verde + fruta cítrica + 1 colher de chia hidratada.
Almoço:
Arroz integral ou batata-doce + feijão ou lentilha + peixe ou frango + salada verde com azeite + brócolis.
Lanche:
Iogurte natural ou fruta com linhaça triturada + castanhas.
Jantar:
Sopa de legumes com frango desfiado ou grão-de-bico + couve + azeite no final.
Chá opcional:
Gengibre, cúrcuma ou ervas digestivas, respeitando suas condições individuais, medicamentos e orientação profissional.
Quando procurar médico com urgência?
Procure atendimento se houver:
dor muito intensa, febre, vermelhidão forte, calor local, inchaço importante, dificuldade de mover a articulação, piora rápida, trauma importante ou suspeita de infecção.
Bursite infecciosa precisa de avaliação e pode exigir antibiótico. O NCBI/StatPearls informa que, na bursite séptica, antibióticos sistêmicos são a primeira linha de tratamento. (CNIB)
Conclusão
A bursite é uma inflamação de uma pequena bolsa que protege as articulações. Ela pode causar dor, inchaço, sensibilidade e dificuldade de movimento. As causas mais comuns envolvem movimentos repetitivos, pressão prolongada, trauma, alterações posturais, doenças inflamatórias e, em alguns casos, infecção.
O tratamento pode envolver repouso relativo, compressas, fisioterapia, medicamentos, infiltração e acompanhamento com ortopedista ou reumatologista. Mas a alimentação também tem um papel importante, porque ajuda a reduzir o ambiente inflamatório do corpo.
Priorize comida de verdade: peixes, sementes, azeite, frutas vermelhas, frutas cítricas, vegetais verdes, legumes, feijões e temperos naturais. Reduza açúcar, frituras, ultraprocessados, álcool e excesso de alimentos inflamatórios.
A bursite precisa ser olhada com carinho, porque a dor não é frescura. É um sinal do corpo pedindo ajuste, cuidado e estratégia.
Vanessa Gaudiano — Nutricionista e Fitoterapeuta
CRN-8 16541
Fontes bibliográficas
Mayo Clinic. Bursitis: symptoms and causes. 2026.
Cleveland Clinic. Bursitis: types, treatment and prevention. 2023.
Merck Manual Consumer Version. Bursitis. Revisado em 2026.
MedlinePlus. Bursitis. 2025.
Harvard Health Publishing. Foods that fight inflammation. 2026.
Harvard Health Publishing. Quick-start guide to an anti-inflammation diet. 2026.
